Acreana consegue adoção de sobrinho quase seis anos após assassinato de irmã: 'Lutei por ele'

  • 10/05/2026
(Foto: Reprodução)
Andréia Paulichen adotou o sobrinho após a irmã ser vítima de femicídio no AC “Caí de joelhos agradecendo ao Senhor. Perdi o medo. Era como se eu tivesse acabado de ter um filho meu. Embora ele já fosse meu, é uma sensação diferente, um alívio, pois sempre deixei claro que iria lutar por ele, proteger e cuidar. Nem pelo meu casamento eu lutei como lutei por ele”. Após quase cinco anos de batalhas judiciais, a gerente comercial Andréia Paulichen, de 37 anos, vai celebrar o Dia das Mães, neste domingo (10), sem medo de perder a guarda de um dos filhos. Ela conseguiu oficializar a adoção do sobrinho Kalel Paulichen, de 5 anos, filho de Adriana Paulichen, assassinada pelo marido em 2021 em Rio Branco. ✅ Participe do canal do g1 AC no WhatsApp 👉Contexto: Adriana foi morta com dois golpes de faca e um mata-leão. Hitalo Marinho Gouveia, de 33 anos, marido da vítima, foi preso e confessou o crime. Paulichen tinha descoberto uma traição e pediu a separação do marido. Para a família dela, esse foi o motivo do crime. Com uma filha de 4 anos e uma gravidez descoberta logo após a morte da irmã, Andréia assumiu os cuidados do então sobrinho assim que Adriana foi assassinada. Na época, Kalel tinha apenas seis meses quando a gerente comercial precisou se reinventar para aprender a lidar com o luto, cuidar dele e da primogênita, bem como se preparar para a chegada de outra. "Posso dizer que o Kalel tem duas mães e uma família inteira que ama e cuida. Me sinto vivendo o extraordinário de Deus e acho que a justiça foi feita. Kalel foi o meu maior presente de Dia das Mães, é alguém que prometi amar e cuidar enquanto eu viver", garantiu. Processo de guarda O acolhimento da filha e receio de que o genitor do garoto conseguisse a guarda fizeram com que Andréia tomasse uma importante decisão: dar entrar no processo de adoção de Kalel. O processo foi iniciado após dois anos do falecimento de Adriana. Primeiro, ela conseguiu a guarda provisória do sobrinho, depois a guarda unilateral e, no último dia 16 de abril, a adoção definitiva. Um relatório psicossocial comprovou o vínculo afetivo e destacou que o menino pode se desenvolver melhor com a tia. Kalel da Costa Paulichen, de 5 anos foi adotado pela tia após a mãe ser morta no AC Arquivo pessoal Ela recorda que o processo judicial foi longo e desgastante, envolvendo diversas visitas domiciliares, avaliações sociais e o acompanhamento da Justiça. “Não é fácil conciliar trabalho, filhos e Justiça. Mas, se pudesse voltar atrás, faria tudo novamente só para viver o que vivo hoje”, disse. Diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nível 2, Kalel ainda não fala, faz terapia e acompanhamento profissional semanalmente para se desenvolver. Andréia acompanha atenta cada evolução do filho e sonha em ouvi-lo chamá-la de mãe. “É meu sonho. Espero que cresça, estude nas melhores escolas, faça faculdade e tenha o melhor futuro possível", falou. LEIA TAMBÉM: Veja como foram os três dias de julgamento do homem que matou esposa no AC após ela descobrir traição Andréia contou que acolher Kalel foi uma decisão natural, mesmo em meio às dificuldades emocionais e financeiras e à resistência do genitor de Kalel, Hitalo Gouveia, condenado a 31 anos de reclusão por matar Adriana. À época, a setença de Hitalo teve a pena agravada porque o crime foi cometido na frente do filho do casal. “A única coisa que importava para nossa família era ele, ter o Kalelzinho. Tudo que ela tinha direito, a gente nunca foi atrás. O que a gente queria era a vida que estava ali”, disse. Ela aguarda a análise de um auxílio financeiro destinado a órfãos do feminicídio em um processo à Secretaria de Estado da Mulher (Semulher). Kalel é uma das 111 crianças e adolescentes menores de 18 anos que ficaram órfãos no Acre devido ao feminicídio nos últimos quatro anos. A adoção também trouxe um significado simbólico para a família. Andréia conseguiu retirar o sobrenome do genitor da criança e incluir os sobrenomes dos avós maternos na certidão do menino. “Era algo que me incomodava muito. Parecia que eu estava mexendo numa ferida toda vez que precisava lidar com documentos. Agora é um alívio tirar ele daquela certidão e colocar o sobrenome da minha mãe e do meu pai. Ele representa ela para nós, foi a única coisa que sobrou da minha irmã”, afirmou. Rede de apoio Divorciada e mãe de outros dois filhos, de 9 e 4 anos, Andréia conta com a mãe, familiares maternos e até a família do ex-marido como rede de apoio. O cuidado com as crianças é reforçado porque o filho de 4 anos também é autista. A chegada de Kalel transformou a dinâmica familiar. A filha mais velha acolheu o garoto como um irmão e logo criou um vínculo afetivo. Andréia relembra que, na época, a filha já pedia um irmãozinho. “Quando o Kalel chegou, foi uma alegria para ela. Hoje ela fala que tem dois irmãos e é muito cuidadosa com eles. Quando eles têm alguma crise, ela diz: 'Mamãe, tem que ter paciência porque eles são autistas'. É muito bonito ver o carinho dela”, relatou. Em meio à dinâmica do dia a dia, Andréia ainda convive com a saudade da irmã e tenta ressignificar a dor através da criação do sobrinho. “Todo dia 9 ainda é muito triste para nossa família. Acho que quem mais ficou estagnada no tempo fui eu. O convívio com o Kalel e o medo de perder ele me fizeram viver esse luto de forma muito intensa. Mas hoje sinto alívio. Não vejo como uma conquista, porque ele não é um prêmio. Ele foi o maior pedido que fiz a Deus”, contou. Reveja os telejornais do Acre

FONTE: https://g1.globo.com/ac/acre/noticia/2026/05/10/acreana-consegue-adocao-de-sobrinho-quase-seis-anos-apos-assassinato-de-irma-lutei-por-ele.ghtml


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